12 de junho de 2008

A excessiva partidarização da democracia e o silêncio da verdade: ideias, não ideologias.

Já há algum tempo atrás que, em conversa com amigos, tem surgido a discussão sobre a necessidade de outro partido em Portugal. De todas as vezes tenho insistido no meu ponto de vista: a democracia, tal como está, repleta de clivagens ideológicas e em alguns casos à beira do abismo, pode ser salva pela entrega do poder ao povo. É óbvio que não digo isto numa perspectiva marxista. Digo-o com a necessidade de transferir a dominante cartelização em que se transformou o sistema democrático através dos partidos políticos, para o indivíduo comum. Talvez no caso de Portugal não estejamos suficientemente maduros para aceitar tal conversão. Mas de certeza que, se deixássemos este rotativismo miserável que traz este país no fio da navalha numa pluralidade consensual de opiniões, e de intervenção directa do cidadão - uma meritocracia em vez de uma mediocracia política - talvez o desinteresse da juventude nestas matérias não espantasse o Sr. Silva, filho do gasolineiro que nas horas livres come bolo-rei e diz disparates. Eu queria ver a coragem de um país que na sua assembleia de cidadãos efectivamente os ouvisse e deliberasse, não com base em orientações partidárias, mas em valores individuais e (ou) colectivos que exteriorizassem não ideologias, mas ideias. Deixo aos politólogos e a todos os teóricos da internet (a maioria dos blogues que eu leio todos os dias poderia dar uma ajuda) na concepção de uma sistema que admitisse esta distribuição do poder político unipessoal em detrimento do partidarismo obsoleto e condicionador. Eu, pela minha parte, gostava de poder lançar o desafio a quem pensa em agrupar-se para trabalhar por um país melhor: agrupem-se, sim, para pensarem por si e não pela cartilha de grupos ideológicos ou partidários. Se for para poder reconstruir este sistema de lóbis e cartéis, contem comigo. Caso contrário, um partido a mais ou a menos é só um partido.

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