28 de maio de 2008

"Só sei que não vou por aí..."

Algumas das minhas opiniões, ou mesmo alguns dos meus posts têm sido transcritos e citados em sites e blogues cuja matriz política e ideológica não coincide com o meu pensamento. Respeito as opiniões de todos e por isso não me pronuncio, nem me oponho à referida transcrição ou comentários. Porém, gostaria de deixar claro que abomino os extremismos. Já o disse e repito-o aqui: qualquer posição extremada, a roçar o obsessivo, é um atavismo ideológico grave que inibe a discussão e impede o progresso. § Sim, nesse aspecto sou progressista se o progresso significar, só e apenas, uma evolução que não implique a destruição. Por isso, no espectro político português, tenho tanta consideração pelo Partido Nacional Renovador, como pelo Bloco de Esquerda, ou seja nenhuma. São partidos cujo fim último é fundação ou refundação de novos sistemas, nada trazem de novo e vivem à sombra da ocasião, de programas maniqueístas, num pêndulo que divide o mundo entre bem e mal, entre bons e maus. Sou monárquico, mas não sou nacionalista. Defendo a manutenção das fronteiras (e sim, confesso, pendo para o euroceptismo) mas cá dentro fermenta um iberismo utópico (também tenho direito a estas «inutilidades» idealistas). Sou conservador, mas não de direita - não admiro nem simpatizo com a direita tradicional portuguesa, que pende entre a beatitude histérica e o provincianismo salazarista. Menos ainda me enquadro na esquerda, mas depressa advogaria certas causas do Partido Comunista, em detrimento das posições do Partido Socialista, ou do B.E. Abomino a partidocracia (o grande mal da democracia ocidental). Não tenho posição definida quanto ao aborto - penso, contudo, que não é tanto uma questão teológica, nem feminista, mas mais uma questão de bom senso - de casos, portanto, e não de causas. Por outro lado, não hesitarei em apoiar certos aspectos da eutanásia. Tanto me faz que os homossexuais queiram casar de véu e grinalda e não vejo neste assunto interesse algum - com a velocidade que as pessoas se «casam» e «descasam» nos dias de hoje e com as constantes críticas à Igreja, acho mesmo ridículo que adultos, gente culta e civilizada, se entretenha nestas discussões estéreis e vãs (por exemplo aqui, e aqui). As uniões acontecem todos dias atrás de portas. E basta (como aliás bastava na Idade Média) o consentimento de ambos. Bem sei que há implicações jurídicas por detrás das uniões de facto, mas são essas que devem ser discutidas, contratualmente, e pouco mais - o casamento simbólico está a morrer - os mesmos que advogam o casamento homossexual assim o exigem, ainda que indirectamente. E como nota devo dizer que temo pela destruição da família nuclear ocidental, por via de uma certa formatação ideológica que BE's e movimentos afins advogam. § Aliás, o ataque à Igreja e à religião, esteio moral e cimento de valores da sociedade vai custar caro - mas infelizmente a civilização só compreenderá quando os esteios ruirem... § Sou católico, mas não sou moralista - abomino a intromissão da religião em questões sexuais com fins estritamente repressivos, ou puramente teológicos. Mudarei, talvez, de posição quando a Igreja ponderar a abolição do celibato. Para já não admito esta pequena hipocrisia. Pelo exposto, não sei bem em que lado da mesa me devo sentar. Talvez me guie um pouco pela máxima do Agostinho da Silva: «não sou do ortodoxo, nem do heterodoxo, cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total». Por isso, definitivamente, não me obriguem a escolher...

2 comentários:

  1. E FAZES TU MUITO BEM!

    Abraço

    P.S. Que dizes se voltássemos ao cristianismo primitivo, não seríamos todos bem mais felizes?

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  2. Na mouche...puseste em texto...precisamente o que eu penso.
    Abraço.

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