25 de maio de 2008

...o reino nos despovoa.

© Blog da Rua Nove


Não me temo de Castela
Donde inda guerra não soa
Mas temo me de Lisboa
Que ao cheiro desta canela
O reino nos despovoa.

(Sá de Miranda)


O país sangra lá fora. À conta de especulações, de políticos hábeis e inábeis (dependendo da ocasião), homens saem para buscar fora da terra o sustento que a própria já não vende (nunca o deu, até o pó é ingrato). Não contente, aquele monstro devorador, - Cronos projectado em Lisboa -, que regurgita os ossos dos seus, obriga à fuga, à debandada. Os que não morrem, supliciam como Prometeu ou Tântalo. A pouca gente da minha terra, do meu Douro, vai morrendo por essas estradas afora para pagar as dívidas de um país alienado. Não, não me temo de Castela. Temo Lisboa.

2 comentários:

  1. Não temas:ela - não é, assim, tão boa. :-)

    ResponderEliminar
  2. Olá Nuno
    É complicado atribuir as culpas apenas à capital.Há um excesso de individualismo e ideias muito conservadoras em Portugal, que tornam muitos portugueses hábeis neste paradoxo: tudo do Estado e nada para o Estado, quando somos reconhecidamente solidários (exemplo foi a adesão ainda mais forte este ano à campanha do Banco Alimentar).
    Emigrar será sinónimo de desistir ou um prego no caixão do "salve-se quem puder"?
    Um abraço

    ResponderEliminar

A Democracia exige Responsabilidade individual. Nicks, anónimos ou mensagens insultuosas demonstram faltam de auto-estima, comportamentos associais e incapacidade de lidar com a opinião alheia e, como tal, não serão publicados.