15 de maio de 2008

Da monarquia, da esquerda, da direita & da ganza.


Poderá haver quem não saiba que o México já teve um imperador europeu ou que os Estados Unidos tenham uma das maiores associações pró-monárquicas do Mundo. Poderá haver quem não queira saber que 12 dos 20 primeiros países com o mais elevado Índice de Desenvolvimento Humano são monarquias (depois de verem a lista e dizerem que não podemos incluir a Austrália e o Canáda, gostaria de frisar que a chefe de Estado de ambos é a rainha de Inglaterra), e que os Países Baixos (incluídos na lista) têm a sociedade mais liberal, vanguardista e mais socialmente à esquerda que se conhece para um país democrático. Pode haver quem não recorde, sequer, de Hailé Salassié (1892-1975), último imperador da Etiópia. Mas o que talvez não saibam é que foi este senhor e a sua casa imperial, herdeiros do cristianismo copta em África, que deram origem ao movimento rastafari e que ajudaram à promoção do movimento reggae e rasta que teve em Bob Marley o seu maior profeta. Ao que parece, «o movimento surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponeses negros em meados dos anos 30, iniciado por uma interpretação da profecia bíblica em parte baseada pelo status de Selassiê como o único monarca africano de um país totalmente independente e seus títulos de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Conquistador do Leão de Judá, que foram dados pela Igreja Ortodoxa Etíope» (extraído da wikipédia, logo, fonte não segura). De facto o imperador apresentava-se como Ras Tafari Makonnen (sendo Ras o equivalente ao título de «príncípe»). E a bandeira imperial que aqui damos à estampa, tem as cores bem conhecidas do movimento reggae: o verde, o amarelo e o vermelho. Como saberão, os apoiantes do movimento rastafari usam a erva como elemento de um ritual; seguem um estilo de vida muito naturalista e vêm de vários quadrantes ideológicos, acreditando que Hailé Selassié foi o messias descendente de Cristo que vinha libertar os povos africanos. § Portanto, da próxima vez que associarem Monarquia com valores ou concepções de Direita pensem bem. Não vá ter sido um rei ou uma rainha que tenha abolido a escravatura, ou seja a favor das uniões homossexuais, ou fume uns charritos de vez em quando! Se o presidente Lula da Silva é alcoólico, se o Miterrand tinha amantes ou se o nosso presidente Manuel Teixeira Gomes gostava dos rapazitos do norte de África, porque é que os monarcas e príncipes não podem ser party people?

1 comentário:

  1. Meu Caro Nuno,
    confesso que também desconhecia essa ligação ao Reggae, mas isso talvez explique que tenha achado, em plena estação ferroviária de S. João do Estoril, há um par de meses, um pequeno crachat com a efígie do Imperador Etíope. Na altura, aquilo fez-me espécie: quem é que podia, no Portugal de hoje, lembrar assum o Negus?
    Agora há uma resposta plausível - algum amante desse tipo de música.
    Muito obrigado, já me sinto mais enriquecido.
    Abraço

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