8 de março de 2008

O mundo, escurece...?

"Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada eléctrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto". | Erico Veríssimo, «Solo de Clarineta - memórias», Livros Brasil, p. 58

Nunca escrevi romances, mas nunca hesitei entre ficar às escuras e acender uma vela, ou segurar uma lâmpada. Iria mais longe que Erico Veríssimo: abriria os olhos até à exaustão, na ausência de velas ou fósforos ou de luz artificial. Porque hei de calar-me? Por temer os epíteto de polémico? De agitador? de inconformado? de inconveniente? Denunciar, apontar os erros e as injustiças não se compadece com estes adjectivos. Cada vez que não ousamos, que nos calamos e que, por medo ou conveniência, hesitamos em denunciar, em contestar, em dialogar, apagamos uma vela e contribuímos para a escuridão do mundo. E ou, muito me engano, ou por força da lassidão em que caímos, o mundo escurece dia após dia...

2 comentários:

  1. Meu caro, acima de tudo julgo que o caminho é esse, o do diálogo. O mundo é violento, as pessoas são violentas, egoístas e grande parte delas padece de ignorância extrema. Confrontá-las com agudeza é desafiá-las a continuar agir desse modo.
    Temos de saber denunciar e contestar com um sorriso nos lábios e sem a pretensão de querer mudar nada nem ninguém. Saber dar palha aos burros é uma forma de mantermos as velas acesas.
    Abraço

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