9 de fevereiro de 2008

Recordemos.

«Nesse final de século [XIX] a própria ideologia republicana se alimentou do ultranacionalismo da impotência gerada pelo Ultimatum. A república, conjunto de proposições políticas de subersivo teor ideológico mas de reduzidíssimo âmbito social, aparece então como a forma de apropriação de um destino colectivo confiscado, como então se escrevia, pela casa de Bragança, a monarquia liberal onde se enxertara bem a pouco burguesia nacional (e internacional). Poucos períodos da nossa História foram tão "patrióticos" como aquele que a República Portuguesa inagurou (...) Escusado será dizer que uma vez mais este patriotismo mascarava, com muita intensidade, a consciência sempre viva de uma "desvalia" nacional que o espectáculo político do parlamentarismo demagógico só podia confirmar».

Eduardo Lourenço
- O labirinto da saudade. Lisboa: D. Quixote, 1992, p. 25.

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