10 de fevereiro de 2008

Carreirismos e outros ismos

Domingo passado

Sabe Deus o que eu abomino certos ismos. Carreirismos, idealismos, «seguidismos» (o Dicionário não regista a palavra, é neologismo). Mas há 3 ou 4 coisas a que me apeguei sem dó nem piedade. Quem me conhece sabe que sou assim. Não gosto de partidos (embora tenha concorrido por um, há uns anitos, mas sem me filiar), e quanto às associações que integro tenho uma postura de freelancer. Não, não é snobismo (anglicismo), nem empáfia. Trata-se exclusivamente de (a)firmar posição. Também não é arrogância. Em mim pode ser timidez, mas também não o é, totalmente. Gosto de pensar em silêncio - a discussão em grupo é interessante, o brainstorming conjunto é o verdadeiro elemento criador, mas quando há necessidade para ponderar, o melhor é fechar a porta e a janela e deixar correr a noite e o silêncio. Faço-o na companhia de algumas obsessões. E estes são os meus únicos partidarismos. Amo, até não poder mais, ler Borges, Camilo ou Tagore, de ouvir Josh Rouse, de entrar num comboio, de ouvir falar espanhol, de sentir a brisa quente nas noites frescas de verão, de procurar a companhia da Amália quando estou melancólico, ou de procurar a própria melancolia que às vezes nos conforta mais do que a luz do sol. Este é o meu aleph, o meu ponto convergente de todas as coisas. Escrevo isto porque é Domingo e porque detesto os domingos. Lembram-me todos os ismos que abomino.

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