15 de janeiro de 2008

Ontem à noite tomei um chá com Mussolini.

Numa vigília nocturna motivada por patologias da época, enquanto vagueava pela programação televisiva, dei com este filme, do qual já ouvira rumores. É uma viagem comovente por uma Europa em guerra mas, em particular, por uma Itália efervescente, a sair da bélle époque e dos loucos anos 20 de que o grupo das Scorpioni - em volta do qual o filme se estrutura - é um excelente testemunho. Através desse conjunto de anciãs britânicas há todo um fio condutor com inúmeras personagens da vida mundana, artística e social da Inglaterra (de uma certa Inglaterra de Virginia Wolf, por exemplo, época ao mesmo tempo promíscua e repressiva). É também um filme autobiográfico, da responsabilidade de Franco Zeffirelli, que, desde Florença, assiste à Segunda Guerra Mundial na pele de Luca, um adolescente com formação inglesa em busca uma carreira nas artes. Conhecendo o percurso do realizador e as suas opções estéticas é implícita a fuga para um certo estilo e um certo período hedonista da História italiana sob administração do Duce (com todas as conotações artísticas e mesmo sexuais que envolvem os regimes ditatoriais da época). Não é uma obra-prima, mas é um bom filme, valendo, sobretudo pela plasticidade do enredo, a fotografia e as belíssimas perspectivas sobre Florença e San Gimignano, - a «cidade das cem torres» - onde o grupo das idosas Scorpioni tenta, numa trágico-cómica sucessão de eventos, salvar os magníficos frescos de Ghirlandaio da destruição pelos ataques, ora dos Aliados, ora dos Alemães.

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